Pela Internet

Você pode ouvir o programa Cena Jazz pela Internet no endereço http://www.rtve.pr.gov.br/modules/programacao/radiofm_ao_vivo

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tributo a Miles Davis

Há vinte anos, no dia 28 de setembro, morreu Miles Davis, um dos maiores nomes da história do jazz. O trompetista estadunidense foi um dos músicos mais influentes do século XX. Sua personalidade inquieta o colocou na liderança de praticamente todos os movimentos que envolveram o jazz e suas fronteiras durante 50 anos. Os ecos de sua arte ainda hoje influenciam músicos e encantam ouvintes do mundo todo.

Miles nos anos 50

Durante esta semana o programa Cena Jazz prestará tributo a essa grande personalidade da música popular do século passado. Nas edições de segunda, quarta e sexta-feira você ouvirá um pouco das histórias e muita música numa grande retrospectiva da carreira do grande Miles Dewey Davis Jr.

No programa de 2ª apresentaremos o início da carreira de Miles como compositor e líder de seus próprios grupos. Mostraremos o álbum The Birth of the Cool que lançou as sementes para o Cool Jazz (também chamado West Coast Jazz) e que iria influenciar até a criação da Bossa Nova. Também receberá destaque o trabalho com seu primeiro grande quinteto e que ajudaria a consolidar uma outra corrente do jazz, o chamado Hard Bop.

No programa de quarta-feira apresentaremos a linha mais evoluída do Hard Bop onde se destaca a segunda formação de seu quinteto – John Coltrane, Bill Evans, Philly Joe Jones, Paul Chambers – e que nos brindou com álbuns extraordinários como o Kind of Blue (o disco de jazz mais vendido da história) e Seven Steps from Heaven, entre tantos outros. Nesta fase se destacam ainda sua parceria com o maestro Gil Evans, seus flertes com a música brasileira (que renderiam inclusive acusações de plágio), e a formação de seu terceiro e último grande quinteto que reuniria Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Willians.

Encerrando a semana, na sexta-feira apresentaremos alguma coisa do seu namoro com o free jazz, o mergulho no jazz eletrônico que iria lançar as raízes para o chamado fusion e as experimentações dos anos 80 onde praticamente todas as possibilidades de fusão do jazz com outras linguagens foram experimentadas. De Cindy Lauper ao hip hop, nada escapou do radar desse grande camaleão da arte do século XX, Miles Davis.

Na capa do disco Tutu, de 1986
O Cena Jazz vai ao ar todas segundas, quartas e sexta-feiras às 22 horas na eParaná – 97,1 FM. Produção e apresentação Maurício Cruz.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

09 de setembro de 2011

Depois de um período de ausência volto a publicar o blog do Cena Jazz.

E  nesta sexta o destaque vai para a orquestra de Duke Ellington. A parte inicial do programa apresentará no primeiro bloco o álbum Ellington 65 e na segunda o disco feito sobre os temas da trilha sonora do sucesso eterno Mary Poppins. Estes dois discos foram recebidos pela crítica com sobrancelhas levantadas e bigode torcido. Certo, você não escuta composições do próprio duque Edward ou do príncipe Billy, mas o resultado musical é delicioso.

O primeiro álbum tem um nome de Ellington´65 Hits of the 60’s. O LP trazia 11 hits do período que, em alguns casos, tornaram-se standards. Escolhemos os arranjos de Mr. Ellington e Mr. Strayhorn para as canções Hello Dolly! (Lennie Hayton & Lionel Newman), Charade (Henry Mancini) e Reds Roses for a Blue Lady (Sid Tepper and Roy Bennett). A big band contava com nomes tradicionais como Billy Strayhorn, Johnny Hodges, Cat Anderson, Cootie Williams, Jimmy Hamilton, entre tantos grandes músicos.


A história mágica de Mary Poppins com a orquestra mágica de Duke Ellington
Praticamente o mesmo time dos disco anterior trabalhou no álbum Duke Ellington Plays with the Original Motion Picture Score Walt Disney´s Mary Poppins. Disco de nome quilométrico e boa música! Eu, que sou fã de carteirinha do filme da Disney, não consegui resisti aos encantos propostos por Mr Ellington e sua turma. Os temas que iremos apresentar serão Let´s Go Fly a Kite, The Perfect Nanny e Feed the Birds, todas dos irmãos Richard M. Sherman & Robert B. Sherman. Os dois álbuns foram lançados originalmente pelo selo Reprise.

Depois do intervalo daremos uma virada no programa para o lado da música caribenha. No terceiro bloco você ouvirá Jambo Caribe do inadjetivável Dizzy Gillespie. O álbum, gravado em 1964, pelo selo Verve é uma delícia! Ouviremos Jambo, Fiesta Mojo, And Then She Stopped, todas de Dizzy que toca acompanhado pelos músicos James Mood – flautas e saxofones, Kenny Barron – piano, Chris White – contrabaixo, Rudy Collins – bateria e percussão e Ann Henry – vocais de apoio (o popular backing vocals...)

Dizzy no Caribe. Bom demais!
E da coletânea Instant Party! do texano de ascendência mexicana Poncho Sanchez ouviremos os temas Hey Bud (David Torres), Joselito (Scott Martin) e Watermelon Man (Herbie Hancock). O CD foi lançado em 2004 pelo selo Concord Picante. Mais picante do que concorde!





quarta-feira, 17 de agosto de 2011

17 de agosto de 2011

Quarta-feira sem convidados no Cena Jazz é dia de música sem compromisso.

E começamos com a boa música e o bom humor de George Shearing. Do álbum As Requested, que quinteto do pianista inglês gravou em 1972 para o selo KOCH Records, destacamos os deliciosos temas Girl Talking (Neal Hefti & Bobby Troup) e A Latin´s Lamp (G. Shearing). Compuseram o quinteto Charles Shoemake – xilofone, Ron Anthony – guitarra, Andy Simpkins – contrabaixo, Rusty Jones – bateria.

George  Shearing, pensando na vida
E de vez em quando tocamos Miles Davis no Cena Jazz. De duas sessões de gravação feitas no início dos anos 50, o selo Prestige lançou o álbum Miles Davis and Horns. Selecionamos os temas compostos por Al Cohn Tasty Puding e For Adults Only, ambos da sessão de fevereiro de 1953. O grupo foi integrado por Sonny Truitt – trombone, Al Cohn e Zoot Sims – sax tenor, John Lewis – piano, Leonard Gaskin – contrabaixo e Kenny Clarke – bateria. O sempre inquieto Miles buscava nessa época um novo caminho para sua música após a experiência bem sucedida do álbum Birth of the Cool. Mais um par de anos e ele faria as históricas gravações com John Coltrane que nos brindariam com os quatro álbuns no gerúndio: Cookin´, Smokin´, Workin´ e Relaxin´.

Tenho escutado muito ultimamente o guitarrista Kenny Burrel. E quando ele se encontra com caloroso tenor de Coleman Hawkins, a música fica irresistível. O LP Bluesy Burrel, gravado para o selo MoodsVille em 1962, é o registro deste encontro abençoável. Destacamos os temas Três Palabras (Oswaldo Farres) e a deliciosa balada I Tought About You (Jimmy Van Heusen & Johnny Mercer). Acompanharam a dupla Tommy Flanagan – piano, Major Holley – contrabaixo, Eddie Locke – bateria e Ray Barreto – congas - deu uma canja em Tres Palabras.

Existem alguns músicos que eu gosto de maneira especial – mexem com o corpo e com a alma. Herbie Hancock é um deles. Seu piano versátil carrega uma das mais reverenciadas e controversas carreiras do jazz nas últimas cinco décadas. Da mais pura essência do jazz acústico, passando pelo fusion dos anos 70, e os flertes com o pop contemporâneo, a música de Mr. Hancock sempre é instigante e, muitas vezes, inebriante. Para finalizar o programa de hoje vamos dar uma palhinha de duas destas vertentes. No quarto bloco do programa apresentaremos duas faixas do sensacional álbum Speak Like a Child. Gravado em 1968, o LP lançado pelo selo Blue Note reuniu Thad Jones – flugelhorn, Ron Carter – contrabaixo, Peter Phillips – trombone, Mickey Roker – bateria e Jerry Dodgion – flauta. Escolhemos os temas Speak Like a Child e Goodbye to Childhood, ambas compostas pelo pianista de Chicago.

Herbie Hancock, pensando na vida também
E depois, para encerrar o programa, uma contemporânea. Do álbum que o meu amigo Dr. Fábio Mota gosta muito, River – The Letters of Johnny Mitchel, tocaremos o tema Solitude (De Lange & Duke Ellington).

E ficamos por aí. Sexta tem mais!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

15 de agosto de 2011

Hoje um Cena Jazz bem bacana. Pianinho como convém aos tempos. Buscando a delicadeza.

E falando em delicadeza nada melhor do que começar o programa com Colemann Hawkins. Do seu álbum Cool Grooves, gravado em maio de 1955 para o selo Prive, destacaremos os temas What´s New? (Bob Haggart & Johnny Burke) e I´ll Never Be The Chame (Matty Malneck, Frank Signorelli & Gus Kahn ). A banda liderada pela "Águia" teve Ernie Royal - trompete, Eddie Bert - trombone, Joe "Earl" Knight - piano, Sidney Gross - guitarra, Wendell Marshal - contrabaixo e Osie Johnson - bateria. Foi uma sessão bem tranquila com Mr Hawkins tocando de maneira relaxada e, mesmo assim, buscando alguns caminhos novos para os temas, conforme você pode perceber em What´s New?.

O programa segue com o pouco conhecido Howard Johnson, um tubista da pesada. Tubista? Você pode estar se perguntando se tuba é instrumento de jazz. É, e tem sido desde os primórdios do gênero quando a tuba fazia o papel hoje reservado ao contrabaixo. E nesse disco, que conta com até cinco tubistas em algumas faixas, os resultados alcançados são espetaculares. O álbum chama-se Gravity e foi lançado em 1998 pelo selo Verve. É o único trabalho como líder de Howard Johnson que eu conheço; uma pena porque o disco é sublime. Escutaremos os temas Stolen Moments (Oliver Nelson) e `Way' Across Georgia (Coleridge Taylor Perkinson). Na primeira faixa temos Mr. Johnson acompanhado por Dave Bergeron, Joe Daley, Carl Kleinsteuber, Earl McIntyre e Marcus Rojas – todos tocando tuba!, James Williams – piano, Melissa Slocun – contrabaixo e Kenny Washington – bateria. Em Way Cross... ouviremos Dave Bergeron, Joe Daley e Carl Kleinsteuber – eufoniun, Tom Malone e Howard Johnson – tuba, George Wadenius – guitarra, Paul Shaffer – piano, Melissa Slocun – contrabaixo e Kenny Washington – bateria. Música maravilhosa!

Howard Johnson, música de tuba. Supreendentemente delicada!
Depois do intervalo receberemos a visita de Diana Krall. De sua mais recente incursão ao mundo da Bossa Nova, o álbum Quiet Nights, ouviremos os temas Guess I'll Hang My Tears Out To Dry (Jule Styne & Sammy Cahn) e How Can You Mend A Broken Heart? (Barry Gibb & Robin Gibb). Miss Krall gravou acompanhada por seu trio com Jeff Hamilton – bateria, Reggie Hamilton – contrabaixo e Anthony Wilson – guitarra além de uma grande orquestra dirigida por Claus Ogerman. Destaque na orquestra para o flautista Steve Kujala. Quite Nights foi lançado pelo selo verve em 2009.

Álbum Happenings de Bobby Hutcherson
E para encerrar o programa com força e delicadeza levaremos ao seu rádio o álbum Happenings do xilofonista Bobby Hutcherson. Gravado em 1966 para o selo Blue Note, o disco contou com as participações de Herbie Hancock – piano, Bob Cranshaw – contrabaixo e Joe Chambers – bateria. Escolhemos a valsa Bouquet – com suas influência de Satie e a balada When You Are Near ambas de Mr Hutcherson. Destaque para o piano de Mr. Hancock e o xilofone do líder.

Cena Jazz em busca da delicadeza perdida.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

25 de julho de 2011

Segunda-feira não é fácil, semana dura pela frente, o programa tem que ser caprichado. E começamos com Johnny Hodges, que quando garoto tentou ser baterista, depois pianista e, felizmente, com 14 anos mudou para o sax alto, nele ficou e transformou-se em um dos maiores saxofonistas de todos os tempos. Mr. Hodges é mais lembrado como um dos principais nomes da orquestra de Duke Ellington, mas sua carreira extrapolou, para o bem, os limites da banda do duque. E isto você pode conferir ouvindo um álbum que ele gravou em 1954 para o selo Norgran Records. O LP Used to Be Duke reúne uma orquestra dirigida pelo saxofonista e apresenta 11 deliciosas faixas que vão da swingada Poor Butterfly (John Golden & Raymond Hubbell) às deliciosas baladas Autumn in New York (Vernon Duke) e Smoke Get in Your Eyes (Jerome Kern & Otto Harbach). A big band que participou das gravações era composta por Johnny Hodges – sax alto, John Coltrane – sax tenor, Harry Carney – sax barítono, Jimmy Hamilton – clarinete, Harold “Shorty” Baker – trompete, Lawrence Brown – trombone, Richard Powell – piano, John Williams – contrabaixo e Louis Belson – bateria.

Johnny Hodges fuma um cigarrinho em um intervalo de gravação.
Seguimos o programa com June Christy. Apesar de ser normalmente considerada a principal vocalista do movimento cool, Miss Christy foi uma cantora que também se destacou pelo swing, tanto no seu trabalho como crooner de orquestras como a de Stan Kenton, quanto em seus trabalhos solo. No programa de hoje você vai conhecer o lado balançado do trabalho da loirinha de Springfield – Illinois.

O álbum Big Band Specials colocou June Christy no centro da Cena Jazz de 1962

Escolhemos seu álbum June Christy Big Bands Special e apresentaremos as canções You Came a Long Way From St. Louis (John Benson Brooks & Bob Russell) e Is You Is Or Is You Ain't My Baby (Billy Austin & Louis Jordan). Depois do intervalo apresentaremos mais dois temas do mesmo álbum, desta vez dois clássicos A Night in Tunísia (Dizzy Gillespie & Jon Hendricks) e Prelude to a Kiss (Duke Ellington, Irving Mills & Irving Gordon). O álbum foi gravado em 1962 para o selo Blue Note e promoveu a volta de June Christy ao centro da cena jazz estadunidense. Os músicos que participaram das gravações foram Conte Candoli, Lee Katzman e Al Porcino – trompetes, Dick Nash, John Halliburton e Lew McCreary – trombones, Joe Maini e Bud Shank – saxes alto, Bob Cooper e Bill Perkins – sax tenor, Jack Nimitz – sax barítono, Jimmy Roles – piano, Joe Mondragon – contrabaixo e Mel Lewis – bateria.

Antes de encerrarmos a primeira parte do programa ainda haverá tempo para ouvirmos duas composições de George Gershwin com o trio formado por Oscar Peterson – piano, Herb Ellis – guitarra e Ray Brown – contrabaixo. Ouviremos Oh Bess, Oh Where's My Bess (Gershwin Bros.) e Summertime (Gershwin Bros, & Du Boise Heyward)

No ultimo bloco do programa apresentaremos o trabalho do trompetista Woody Shaw. Apontado por muita gente boa, Miles Davis inclusive, com o grande nome do instrumento nas décadas de 70 e 80, Mr. Shaw foi um dos mais talentosos e inovadores músicos do seu tempo. Numa época em que os músicos de jazz buscavam novos caminhos para o gênero, Woody Shaw conseguiu fazer um trabalho original, que respeitava a história do jazz e, simultaneamente, apontava para novas direções. Você pode conferir isto nas faixas The Draggon (Fred Henke) e Sippin´ At Bells (Miles Davis) que fazem parte álbum In My Own Sweet Way, lançado em 1987 pelo selo In & Out Records. Os músicos que acompanharam Woody Shaw foram Fred Henke – piano, Neil Swainson – contrabaixo e Alex Deutsch – bateria.

Woody Shaw. Vida tumultuada, música muito acima da média

É isto aí! Quarta-feira teremos a visita do professor Edwin Pitre para uma ótima conversa sobre o Latin Jazz!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

22 de julho de 2011

Nesta sexta-feira mostraremos um pouco da Cena Jazz nacional. No programa de hoje você ouvirá nossos músicos trabalhando o jazz com uma pegada bem brasileira.

Começaremos com João Braga. O quase cinqüentenário pianista carioca desenvolveu sua carreira acompanhando grandes nomes da nossa música como Tim Maia, Fátima Guedes, Zé Ramalho, Verônica Sabino, Emílio Santiago, entre outros. Também foi membro dos hilários Miquinhos Amestrados. Paralelamente tem mantido um trabalho de música instrumental de alta qualidade que o levou a participar do Festival de Jazz de Montreux e a lançar três discos com acento jazzy. Apresentaremos no programa de hoje seu trabalho mais recente: o CD O tempo de tudo, lançado em 2010 pelo selo Multifoco.

Capa do CD O tempo de tudo do pianista João Braga
Ouviremos os temas Maçã (Djavan) e Moments Notice (John Coltrane), onde o piano de João Braga aparecerá acompanhado de Rômulo Duarte – contrabaixo, Vitor Bertrami – bateria, Áurea Regina – harmônica e Joça Perpignan – congas.

O baterista Magno Bissoli é o mentor do grupo Bissamblazz. Dos três CDs lançados pelo grupo apresentaremos no Cena Jazz o álbum Abracadabra, lançado em 1998. Segundo Magno, o trabalho “apresenta composições e arranjos em uma linguagem que expressa o movimento de convergência na diversidade da música brasileira associando seus elementos ao jazz, à polirritmia e à politonalidade”. Apesar do papo cabeça, o disco é alegria pura. Você ouvirá os temas Valsa Dragão e Chegando Lá, ambas de Magno. Na formação deste CD temos Daniel Alcântara, Mané dos Santos, Junior Galante, Cláudio Sampaio e Odésio Jericó - trompetes e flugelhorns; Hudson Nogueira, Maurício de Souza, Vitor Alcântara, Carlos Alberto Alcântara e Ubaldo Versolato – saxofone, flauta e clarinete; Walter Azevedo, “Bill”, Arlindo Bonadio e Roberto Silva – trombones; Marcos dos Anjos – tuba, Marcelo Maita – piano, Paulo Paulelli – contrabaixo, Magno Bissoli – bateria e Paulo “Paulada” Falanga – percussão.

Fale Bissamblazz Abracadabra e as portas da boa música se abrirão a você!
O 11 Cabeças é outro grupo sensacional que contribuirá para o balanço do Cena Jazz de hoje. Ouviremos os temas Funk Connotation e Mei Lá, Mei Cá, ambos composições do saxofonista Henrique Band. Os 11 Cabeças são: Marcelo Martins – sax alto e flautas, Levi Chaves – sax alto e clarinete, Henrique Band – sax tenor e barítono, Bidinho – trompete, Gilmar Ferreira – trombones, Bernardo Bosisio – guitarra, Delia Fischer – teclados, Bruno Migliari – contrabaixo e baixo elétrico, Cássio Cunha – bateria e César Brunet Garzoni – percussão. Música da pesada!

O quarto bloco do programa apresentará o CD Cool Bossa Strutin´ da pianista Paula Faour. O álbum, lançado originalmente em 2002 no Japão, chegou ao Brasil apenas dois anos depois com muitos elogios da crítica internacional. Críticas merecidas conforme você poderá conferir nas faixas Mr. Tom (Eumir Deodato) e Cool Strutin (Sonny Clark). Tocam no disco Paula Faour – piano; Gabriel Improta – guitarra; Jose Carlos Ramos – flautas e saxes; Manuel Gusmão - contrabaixo; Dom Um Romão – bateria.

Banda Mantiqueira!
E para encerrar muito bem o programa de hoje nada melhor que a Banda Mantiqueira. Do seu mais recente trabalho Terra Amantiquira, lançado em 2005 pelo selo Maritaca apresentaremos a faixa Feminina (Joyce). Fazem parte da Mantiqueira Nailor Azevedo, o Proveta – saxes alto e soprano, clarineta – Edson Alves – baixo elétrico, Guello – percussão, Walmir Gil – trompete e flugelhorn, François – trombone de válvula, Jarbas Barbosa – guitarra, Odésio Jericó – trompete e flugelhorn, Ubaldo Versolato, sax barítono e piccolo, Valmir Ferreira – trombone de vara, Lelo Izar – bateria, Fred Prince – percussão, Vinicius Dorin – sax tenor, Carlos Antonio Malaquias, sax tenor e flautas e Nahor Oliveira – trompete e flugelhorn.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

20 de julho de 2012

Nesta edição não teremos convidados, mas as presenças musicais compensam a ausência.

E será de Dexter Gordon o bloco abre alas do programa desta quarta-feira. Um dos nomes mais conhecidos do jazz, começou a freqüentar a Cena Jazz ainda durante a era do bebop. Foi considerado como o principal expoente do sax tenor no período. Durante as quatro décadas seguintes, Mr. Gordon nos brindou com uma sonoridade facilmente reconhecível, muitos discos importantes e por um bom humor sempre presente.

Hey man! Where are you now, give me a call!
Com ele ouviremos os temas Ernie´s Tune e Soul Sister, ambos de sua autoria. As faixas fazem parte do álbum Dexter Calling..., lançado pelo selo Blue Note em 1961.

No bloco vocal teremos a presença da cantora Rachelle Ferrel apresentando os temas You Don't Know What Love Is (G. De Paul & D. Raye) e You Send Me (I.C.Cooke), ambos presentes no CD First Instrument, Blue Note 1995. Acompanharam Miss Ferrel nas gravações Alex Foster – sax soprano, Eddie Green – piano, Tyrone Brown – contrabaixo e Doug Nally – bateria. Grande cantora!

Ted Rosenthal é um pianista com a pegada do jazz contemporâneo. Ganhou notoriedade ao ganhar a segunda edição do Thelonious Monk International Piano Competition em 1998; a partir do prêmio sua carreira deslanchou e atualmente ele tem uma discografia de respeito onde se destaca o álbum que apresentaremos no programa de hoje: Images of Monk. Gravado em 1993, o CD homenageia justamente o genial pianista de Rocky Mountain, Carolina do Norte. No álbum encontramos 10 composições de Mr. Monk e mais uma parceria (póstuma, é claro!) entre o mestre e o aprendiz. Escolhemos a deliciosa Ruby, my dear e o medley de Trinkle, Tinkle e Panonica. O sexteto que gravou tinha Ted Rosenthal – piano, Brian Lynch – trompete, Dick Oatts – saxofones, Mark Feldman – violino, Scott Colley – contrabaixo e Marvin “Smitty” Smith – bateria. O disco foi lançado pelo pequeno selo The Jazz Aliance.

Ted Rosenthal a imagem do monge
Vale lembrar que Ted Rosenthal trabalhou como sideman com grandes nomes como Gerry Mulligan, Art Farmer, Lee Konitz e Phil Woods.

E para encerrar o programa, apresentaremos a inusitada UMO Jazz Orchestra. Inusitada porque é uma big band finlandesa! Apesar da origem parecer incomum, vale lembrar que os europeus em geral gostam muito de jazz e os nórdicos adoram!. Além disso, o som da orquestra é realmente muito bom. O disco Transit People tem oito faixas, sendo que apenas duas não são composições de membros da banda; e serão justamente as duas exceções que apresentaremos na edição de hoje: Afro-Blue (Mongo Santamaría) e Naima (John Coltrane). O lançamento no ano 2000 foi feito pelo selo Naxos Jazz.

Fica a promessa de apresentar os temas dos UMO em uma próxima edição do Cena Jazz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

18 de julho de 2011

O programa desta segunda-feira começa com Sonny Rollins. Um dos grandes do saxofone da década de 50, seu nome é o grande destaque da corrente pós bop. Algumas gerações de saxofonistas foram influenciadas pelo modo fluido de tocar, pelas inovações harmônicas, pela maneira relaxada de tocar as baladas. Vamos apresentar as faixas My one and only love (Guy Wood & Robert Mellin) do album The Standard Sonny Rollins e The night has a thousand eyes (Jerome Brainin & Buddy Bernier), lançada no LP What´s New?.

Puro estilo: Sonny Rollins!
A primeira faixa foi gravada em 1964 e contou com a participação de Mr. Rollins no sax tenor, Bob Cranshaw – contrabaixo, Mickey Roker – bateria e Herbie Hancock – piano. Em The night has a thousand eyes, que foi gravada em 1962, você ouvirá Collemans Hawkins – sax tenor, Bob Cranshaw – contrabaixo, Ben Riley – bateria, Jim Hall – guitarra e Paul Bley – piano. As edições originais foram lançadas pela RCA Victor.

O programa segue com o cantor favorito de Woody Allen e de muito jornalista brasileiro que entende de música, entre eles o Ruy Castro. Trata-se do nova-iorquino Bobby Short, cantor de cabaré que fez do Cafe Carlyle sua base artística por décadas. E justamente do CD que registra a comemoração dos seus trinta anos no café do hotel localizado na Rua 76 em Nova Iorque apresentaremos as canções Guess Who's In Town (Andy Razaf), Just One of Those Things (Cole Porter) e Moten Swing & You're Driving Me Crazy (Bernie & Ira Moten). Esta última é uma instrumental para você conferis a categoria da orquestra que acompanhava Mr. Short. O CD chama-se Bobby Short and his orchestra Celebrating 30 Years at the Cafe Carlyle e foi lançado em 1997 pelo selo Telarc.

Bobby Short e a cidade que ele cantou.
Depois do intervalo vem à Cena Jazz o trabalho do trombonista Curtis Fuller. O álbum BLUES-ette, lançado em 1959 pelo selo Savoy, é considerado um dos destaques da carreira de Mr. Fuller. Com uma tranqüila pegada de hard bop, a música é ao mesmo tempo intensa e tranqüila; até porque intensidade não quer dizer tensão. Este álbum também é importante porque da reunião de Curtis Fuller com Benny Golson seria lançada a semente para o Jazztet, um dos grupos mais importantes dos anos 60. Selecionamos para você os temas Love Your Spell Is Everywhere (Elsie Janis & Edmund Goulding) e Five Spot After Dark (Benny Golson). O grupo da sessão foi formado por Curtis Fuller – trombone, Benny Golson – sax tenor, Tommy Flanagan – piano, Jimmy Garrison – contrabaixo e Al Harewood – bateria.

O filme Último Tango em Paris é um dos clássicos da filmografia dos anos 70. Na época de seu lançamento causou polêmica pelas cenas de sexo (fortes para os padrões da época...). Passados já quase quarenta anos, o que restou foi um grande e triste filme sobre a solidão em que se destacam o desespero do personagem de Marlon Brando, a beleza rebelde de Maria Schneider, a fotografia perfeita e uma trilha sonora espetacular. A música composta pelo saxofonista argentino Gato Barbieri é impregnada das emoções que o filme apresenta. E olha que são muitas! Apresentaremos para você os temas Why Did She Choose You e Last Tango in Paris – Jazz Waltz.

Um último tango!
Se você nunca assistiu ao filme corra a uma locadora, porque quem já assistiu já está indo alugar a “fita”.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

13 de julho de 2011

Hoje teremos no Cena Jazz a visita do Doutor Fábio Mota - mestre da medicina, apaixonado por boa música e um grande fotográfo amador.

Fábio nos brindará com uma seleção legal de temas. Ouviremos um repertório que começa com a gravação que o introduziu - e a muita gente - ao jazz: Take Five com o quarteto de Dave Brubeck. Depois passaremos por uma versão para lá de excitante de Night in Tunisia com um quinteto formado por, nada mais, nada menos, Dizzy Gilespie - trompete, Max Roach - bateria, Bud Powell - piano, Charles Mingus - contrabaixo e Charlie Parker - sax alto.

Na seqüência o programa diminui um pouquinho de velocidade para ouvirmos uma versão de Love for Sale com o trompete de Chet Baker; versão instrumental, o que nos dá a oportunidade de apreciar com mais atenção o trompetista que, às vezes, é eclipsado pelo cantor.

Depois o recado será dado por duas cantoras que são normalmente associadas ao rythm´n´blues: Tina Turner e Nina Simone. As duas aqui apresentam versões jazzy para temas raramente associados ao jazz: a composição de Joni Mitchel Edith and the Kingpin com Miss Turner e Ne Me Quite Pass com La Simone. Bem bom!

Além dessa seleção muito bacana de temas, tenho certeza que a conversa sobre alguns aspectos terapêuticos da música, da arte e da cultura em geral será bem rica e estimulante.

Seguem fotos do Fabio registrando o programa de auditório do dia do jazz promovido pela e Paraná. Curta aí.


Saul Trompete tocando um flugelhorn

Glauco Solter, seu contrabaixo e seu chapéu

Paulinho Sabbag refletido no piano
Familia Sabbag: som a seis mãos

Maurílio Ribeiro em pleno vôo


Todas estas fotos são de Fábio Mota. Grande amigo, grande pessoa! Valeu a visita Fábio!

sábado, 2 de julho de 2011

11 de julho de 2011

Voltando à blogesfera. A partir de hoje volto a publicar posts sobre o conteúdo dos programas que apresento.

Começamos nessa segunda com o Dave Brubeck que, além de músico genial, era também um globetroter. Adorava viajar e tocar sua música pelos lugares que visitava. Dessas andanças gravou uma série de discos que, em comum, tinham o título que começava com Jazz Impressions of... No programa de hoje apresentaremos o disco com as impressões de uma excursão pelo Japão.

Bela ilustração já dá a impressão japonesa do álbum
O álbum Dave Brubeck Quartet Jazz Impressions of Japan foi gravado em 1964, logo após o quarteto ter desembarcado do vôo transpacífico. Destacaremos os temas Rising Sun e Fujiyama, ambas as composições de Mr. Brubeck.

Nessa época o quarteto era composto por Dave Brubeck – piano, Paul Desmond – sax alto, Eugene Wright – contrabaixo e Joe Morello - bateria. O lançamento original e o relançamento em CD foram feitos pelo selo Columbia.

Se você perdeu o programa, pode escutar a faixa Fujiyama com lindas ilustrações japonesas no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=O1X8CvYAK-E


Em seguida tocaremos o álbum Look to the East com o Los Angeles Jazz Quartet. Lançado em 1997 pelo (infelizmente) finado selo Naxos Jazz o CD contém onze excelentes faixas de jazz com uma pegada bem contemporânea; difícil escolher... mas optamos pelas composições do baixista Darek Olesziewicz Reality e Getting Around.

Além de Mr. Olesziewicz participaram das gravações o guitarrista Larry Koonse, Chuck Manning no sax tenor e kevin Tullius na bateria.


Após o intervalo apresentaremos o álbum Escapade do flautista James Spaulding. Gravado em abril de 1999 e lançado em dezembro do mesmo ano, Escapade é uma mistura bem equilibrada de standards e composições de nomes como Dexter Gordon, Kenny Dorhan e Grant Green. Para o encontro Mr. Spaulding convidou o trompetista Don Sickler e uma cozinha da pesada: John Hicks - piano, Ray Drummond – contrabaixo e Kenny Washington – bateria. O álbum foi lançado pelo selo High Note e aproveite porque é bem raro.
Para o programa selecionamos os temas Cheese Cake (Dexter Gordon) e Grant´s Future (Grant Green). Na primeira, como seria de se esperar, Mr. Spaulding toca sax e no tema de Grant Green o destaque fica para a execução na flauta. Craque!

James Spaulding
E para encerrar o programa e dar um balanço na semana que inicia, no último bloco apresentaremos o CD Acid Samba do trombonista paulista Bocato. Lançado em 2001 o álbum é uma delícia na mistura que faz entre jazz e samba num groove pra lá de contemporâneo. Escolhemos os temas Acid Samba e Ilha Bela. A ótima banda contava com Bocato - trombone, Cláudio Faria - trompete, Marco Xabu - percussão, Marquinho Costa - bateria, Renato Bordon - baixo elétrico, Sérgio Boré - percussão, Tiago Costa- teclados.

É isto aí. Jazz do bom agora está na 97,1!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mudando de casa

Olá amigos do jazz!

Confirmada em definitivo minha mudança de estação. Estarei apresentando meu programa agora na e Paraná (Educativa FM - 97,1). Estarei no ar às segundas, quartas e sextas-feiras no nosso horário de encontro tradicional às 22 horas.

A mudança se dá em consequência de diversas razões; dentre elas vale citar:

- a possibilidade de estar um dia a mais no ar;
- o reconhecimento da intenção educativa do programa, e acima de tudo
- o interesse demonstrado pela nova direção da RTVE em manter o programa com sua proposta original e, ao mesmo tempo, oferecer os recursos necessários para sua evolução.

À direção da Lumen FM agradeço o espaço oferecido para que nos últimos seis anos o programa Nas Trilhas do Jazz fosse veiculado na rádio e se tornasse uma referência na programação da emissora.

Fica o convite para você, que gosta de jazz de verdade, ouvir o programa às 22 horas, segundas, quartas e sextas na e Paraná. O programa continuará apresentando um amplo panorama do gênero, mostrando todas as suas vertentes e colocando meu acervo de quase dois mil CDs de jazz a sua disposição, sempre com bom humor, informação qualificada e, acima de tudo, respeito à inteligência do ouvinte.

No encontraremos lá, onde há boa música.

Maurício

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Programa de 28 de dezembro de 2010


E no começo eram as Big Bands...

Se você for ler sobre as origens do jazz, encontrará várias versões que convergem do blues para as bandas de Nova Orleans, o jazz negro de Chicago, as bandas brancas de dixieland e o som de Kansas City. O movimento segue mais ou menos esta espinha dorsal para desembocar na chamada "Era do Jazz" que compreende o final da década de 20 e o início da próxima. Depressão econômica, desemprego em massa, lei seca, miséria; tudo isso compensado pela música maravilhosa que tocava (ao vivo!) em rádios de todo o território dos EUA. Foi a época das Big Bands. A gloriosa época das Big Bands! Nomes como Benny Goodman, Jimmy Dorsey, Glen Miller, Cab Calloway, Artie Shaw, Duke Ellington eram então extremamente populares.

No programa desta terça-feira prestaremos um tributo a esses grupos que alegraram o coração não só dos estadunidenses, mas de homens e mulheres de todo planeta. Não ficaremos, porém, restritos às orquestras da década de 30. Nesta edição do programa faremos um passeio de setenta anos pelo som das Big Bands.

Orquestra de Artie Shaw
E para começar você vai ouvir um clássico: The Mooche, composição de Duke Ellington com a orquestra do autor. A gravação é da década de 40. Completando o bloco apresentaremos Upswing com a Dave Holand Big Band. O álbum What Goes Around foi lançado m 2002 pelo selo alemão ECM.

 
Selo do disco que apresentava a primeira versão gravada de "The Mooche", em 1928
 No segundo bloco tocaremos inicialmente Highise Riff com o grupo liderado pelo trompetista Wynton Marsalis. A faixa está no álbum Citi Movement que foi lançado pelo selo Columbia em 1991. Completando bloco teremos a orquestra de Stan Kenton apresentando Intermission Riff do álbum Kenton in HiFi, gravado em 1956.

Se você ficou se perguntando o que riff, segue aí a definição daWikipedia: “Riff é uma progressão de acordes, intervalos ou notas musicais, que são repetidas no contexto de uma música, formando a base ou acompanhamento. Riffs geralmente formam a base harmônica de músicas de jazz, blues e rock.”

Depois do intervalo, você ouvirá outra orquestra clássica: a Count Basie Orchestra. Com o grande Joe Willians servindo de crooner, tocaremos Every Day I Have The Blues – faixa do álbum Count Basie Swings, Joe Williams Sings, gravado em 1956. Na sequência, a gravação de Isothope feita para o sensacional álbum Joe Henderson Big Band, lançado pelo selo Verve em 1996.



A foto que registra a gravação da faixa "Everyday I Have The Blues"
E para encerrar este tributo às big bands de todos os tempos apresentaremos no último bloco do programa Fables of Faubus, faixa do álbum Mingus Ah Um do genial contrabaixista Charles Mingus. A sessão foi gravada em 1959 para o selo Columbia Jazz. E encerraremos o programa com outro gênio do jazz: o pianista, maestro, compositor e arranjador Gil Evans. Do seu álbum Out of The Cool, você ouvirá o tema Stratophunk. Selo GRP, 1960.

Por hoje é isto! No programa de quinta-feira teremos mais big bands para você começar a comemorar a passagem de ano com música boa e animada. Até lá!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Programa de 23 de dezembro de 2010

Natalie Cole é uma cantora especial. Afinadíssima ela trabalha um repertório de muito bom gosto em que o jazz ocupa um lugar especial. Apresentaremos no programa desta quinta-feira o álbum Take a Look; lançado em 1993 pelo selo Elektra, o disco é todo muito bom. Destacaremos hoje as interpretações de Miss Cole para It´s Sand Man (Ed Lewis, Jon Hendricks e Dave Lambert) e All About Love (Bill Dana e Robert Arthur). Acompanharam a belíssima voz de Natalie Cole Alan Broadbent – piano, Jim Hughart – contrabaixo, John Chiodoni – guitarra, Jeff Hamilton – bateria e Pete Christlieb – saxofone.

Jean “Toots” Thielemans é um músico muito especial. Belga de nascimento transformou-se em um músico universal. Reconhecido mundialmente como um dos maiores intérpretes da harmônica, é referência do instrumento na cena jazz. Entretanto poucos sabem que seu instrumento original é a guitarra, que tocou durante anos no quinteto do pianista inglês George Shearing. Apresentaremos no programa de hoje o álbum Man Bites Harmônica, que marca sua estréia como líder na cena estadunidense do jazz. Lançado originalmente pelo selo Riverside em 1958, o disco apresenta oito faixas dentre as quais escolhemos 18th Century Ballroom (Ray Bryant) e East of The Sun (Brooks Bowman). Participaram do encontro Peper Adams – sax barítono, Kenny Drew – piano, Wilbur Ware – contrabaixo e Art Taylor – bateria.

Toots Thielemans ainda garoto no início da brilhante carreira
Após o intervalo você vai ouvir as homenagens que o saxofonista Joe Henderson fez a duas das maiores figuras da música do século XX: Miles Davis e Antonio Carlos Jobim. No início da década de 90 Joe Henderson gravou os discos mais significativos de sua carreira; dentre eles So Near So Far em homenagem ao trompetista e Double Rainbow, uma homenagem ao nosso maestro soberano. Os dois discos são espetaculares e valem uma audição completa. Selecionamos para você So Near So Far (Tommy Crombie e Benny Green), onde Joe Henderson foi acompanhado por Joe Scofield – guitarra, Dave Holland – contrabaixo e Al Foster – bateria. Do repertório do compositor brasileiro escolhemos No More Blues ou Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) que foi executada por Joe Henderson – sax tenor, Herbie Hancock – piano, Christian McBride – contrabaixo e Jack DeJohnette – bateria. Os dois CDs foram lançados pelo selo Verve, o primeiro em 1993 e o outro em 1995.

O programa segue com mais um momento especial. Tocaremos no quarto bloco o álbum Trumpet Evolution do trompetista cubano Arturo Sandoval. Gravado em 2003 para o selo Crescent Moon o disco é um tributo que o Señor Sandoval presta a 19 trompetistas que marcaram a linha evolutiva do jazz. Começa com Dipper Mouth Blues, tributo a King Oliver e termina com Later para Wynton Marsalis; mas praticamente todos os nomes que se destacaram no instrumento são lembrados. Escolhemos para tocar no programa as faixas Concerto for Cootie (Duke Ellington) e I Can´t Get Started (Ira Gershwin e Vernon Duke). A primeira é uma homenagem a Charles “Cootie” Willians e a segunda a Bunny Berigan, dois trompetistas não muito lembrados no dias de hoje, mas que deixaram sua marca na historia do jazz.

Capa do álbum Trumpet Evolution
Para encerrar o programa uma brincadeirinha legal. Tocaremos duas versões de A Night In Tunisia (Dizzy Gilespie e Frank Paparelli). Ouviremos inicialmente uma versão cantada por Bobby McFerrin com letras de Jon Hendricks e na sequência umas das versões clássicas: a gravação ao vivo feita em 1953 no Birdland com o grupo que formaria a primeira versão do Jazz Messengers. Tocaram Clifford Brown – trompete, Lou Donaldson – sax alto, Horace Silver – piano, Curly Russel – contrabaixo e Art Blakey – bateria. Na versão vocal, acompanham o Bobby McFerrin as vozes do grupo Manhatan Transfer.

Feliz Natal!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Programa de 16 de dezembro de 2010

Conforme prometido na edição de terça-feira, iniciamos o programa de hoje com a apresentação do álbum Something Blue que marca a estréia de Paul Horn como band líder. Mais lembrado nos dias de hoje pelo seu trabalho com flautas, Mr. Horn também tocava – e bem – sax alto e clarineta. Gravado em 1960 para o selo HI FI Jazz, a música apresentada demonstra uma clara influência do tijolo que havia despencado sobre a cena jazz no ano anterior – álbum Kind of Blue. Miles havia “inventado” o jazz modal e a maioria dos músicos da época andava impressionada com o trabalho. Para você ouvir um pouco da música apresentada, selecionamos os temas Something Blue e Fremptz, ambas composições de Paul Horn. Para as gravações ele convidou Paul Moer – piano, Jimmy Bond – contrabaixo, Billy Higgins – bateria e Emil Richards – xilofone.

Paul Horn novinho, a fim de impressionar o público feminino

Um dos primeiros LPs de jazz que comprei foi – benza deus! – o álbum Take Love Easy. Gravado para o selo Pablo em 1973 o disco é de uma delicadeza deslumbrante! Apresentando “apenas” a voz da diva Ella Fitzgerald e a guitarra de Joe Pass, o disco traz nove faixas belíssimas. Difícil escolher apenas duas para apresentar no programa, mas selecionamos Take Love Easy (Duke Ellington e John Latouche) e A Foggy Day (Gershwin Bros.). Vale lembrar que o disco tem uma gravação muito bonita de Once I Loved, versão de Ray Gilbert para Amor em Paz de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que eu prometo tocar no início do próximo ano.

Ella e Joe para japonês ouvir
Gosto tanto deste álbum que, quando apareceram os CDs, procurei-o alucinadamente. Acabei encontrando uma versão japonesa numa loja da Tower em Londres e comprei. Alguns anos depois o CD foi lançado no Brasil e frequentou algumas bancas de liquidação nas Mesblas da vida...

Após o intervalo apresentaremos mais um encontro entre grandes do jazz. Desta vez trata-se do álbum Bags Meets Wes! que registra a sessão que reuniu Milt Jackson (cujo apelido era Bags) e Wes Montgomery. O surgimento do garoto fenômeno da guitarra no final dos anos 50 fez com muita gente já estabelecida na cena jazz o convidasse para tocar e gravar. A maioria acabou esnobada por Wes Montgomery; uma exceção foi Milt Jackson em grande parte por Wes tinha tocado muitos anos com seu irmão Buddy e desenvolvido com isso uma afinidade com a combinação guitarra jazzy e xilofone. Gravado em dezembro de 1961 pelo selo Riverside, o disco reúne sete faixas que mostram o resultado do encontro. Você ouvirá os temas Blue Roz (Wes Montgomery) e S.K.J. (Milt Jackson). Para acompanhá-los escolheram Wynton Kelly – piano, Sam Jones – contrabaixo e Philly Joe Jones – bateria.

Deve ter feito muito frio no inverno de 1961 em NYC. Meio parecido com nosso verão curitibano...

O quarto bloco do programa apresenta o The Jazztet, grupo importante liderado por Art Farmer e Benny Golson. A banda que durou relativamente pouco tempo (1959 a 1963), se destacou por ser um canal de apresentação das fabulosas composições de Benny Golson e por ter lançado alguns nomes que fariam história nas décadas seguintes, entre eles os pianistas McCoy Tyner e Cedar Walton. A música do grupo era uma espécie de pós hard bop bastante densa e interessante. Você poderá conferir o som do Jazztet nas faixas 2 Degrees East, 3 Degrees West (John Lewis) e Blues On Down (Benny Golson). As gravações para o selo LeJazz foram feitas em Nova Iorque em 1961 e tiveram a participação de Tom McIntosh – trombone, Cedar Walton – piano, Albert “Tootie” Heath – bateria, Tommy Willians contrabaixo, além, claro, de Art Farmer – trompete e Benny Golson – sax tenor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Programa de 14 de dezembro de 2010

James Moody (1925-2010)
O blog Jazz Lumen e o programa Nas Trilhas do Jazz prestam tributo ao grande saxofonista James Moody. Como o programa de hoje foi gravado com antecedência, não tocaremos sua música. Em breve apresentaremos alguns álbuns de James Moody, mais um gigante do jazz que vai tocar na Big Band do Paraíso.

Quem presta um pouquinho de atenção ao jazz já ouviu o nome Marsalis. Provavelmente Wynton Marsalis; os mais informados conhecem o Branford Marsalis, os que são mesmo da praia do jazz já ouviram falar de Jason Marsalis e os realmente “tarados” por jazz até escutaram um disco do Delphayo Marsalis. Então... toda essa garotada descende do grande pianista de Nova Orleans Elis Marsalis. Pois papai Marsalis convidou seu filho saxofonista, o Branford, para gravar uma disco muito bacana: o álbum Loved Ones. São 14 faixas, todas elas com nomes de ou referências a mulheres. Temos Delilah, Maria, Angelica, Liza, Nancy e outras sempre homenageadas pelo duo. Escolhemos as deliciosas Louise (Leo Robin e Richard Whitling) – nessa apenas piano, e Lulu´s Back In Town (Al Dubin e Harry Warren) – com a dupla. O disco foi lançado pelo selo Columbia em 1996.

Miles Davis além de ser músico sensível e inovador genial foi também o criador de alguns dos maiores grupos da história do jazz. Seus dois quintetos – o da segunda metade da década de 50 e o da década de 60 marcaram a história da música do século XX. Em relação ao primeiro grupo, muita gente pensa que apenas os álbuns gravados para o selo Columbia (Round About Midnight e Kind of Blue – os dois mais importantes) foram os mais significativos. É importante lembrar que houve gravações anteriores que pertencem a qualquer antologia do jazz que se preze. Em apenas duas seções o grupo formado por Miles – trompete, John Coltrane – sax tenor, Red Garland – piano, Paul Chambers – contrabaixo e Philly Joe Jones – bateria gravou material para quatro álbuns sensacionais: Cookin´, Walkin´, Relaxin´ e Steamin´ with The Miles Davis Quintet; destacaremos este último no programa de hoje. Das seis faixas que compõem o disco, escolhemos as delicadas Diane (Erno Rappee e Lew Pollack) e When I Fall In Love (Victor Young e Edward Heyman). Enjoy it!


Capas dos quatro álbuns antológicos
O timbre de voz peculiar sempre foi a marca registrada da cantora e pianista Blosson Dearie. Cantora sensibilíssima, Miss Dearie foi grande destaque no mundo do jazz nos anos 50 e 60. Após uma prematura aposentadoria, ela voltou a apresentar em festivais e clubes estadunidenses e europeus até 2006. Faleceu no ano passado. No programa de hoje apresentaremos gravações suas do período em que morou em Paris, entre 1952 e 1954. Acompanhada do Blue Stars of France ouviremos Blosson Dearie apresentando uma versão em francês para Lullaby of Birdland (George Shearing e George David Weiss) e Tout Ma Joie (tradicional). O álbum Les Blue Stars foi gravado em 1954.

Blosson Dearie vale uma visita ao Youtube
Já estabelecido no circuito do jazz o xilofonista Bobby Hutcherson liderou uma ótima sessão de gravação para o selo Blue Note em 14 de julho de 1966. Reunido a Joe Henderson – sax tenor, McCoy Tyner – piano, Herbie Lewis – contrabaixo e Billy Higgins – bateria, gravou seis faixas que foram lançadas no álbum Stick-up! Escolhemos para você os temas 8/4 Beat e Summer Nights ambas de Mr. Hutcherson.

E para convidá-lo para o programa de quinta-feira finalizamos a edição de hoje com o flautista Paul Horn apresentando o tema Mr. Bond. Outras faixas do álbum Something Blue você escutará no próximo programa! Até lá!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Jazz em capas

Dando sequência à série de capas de discos de jazz, vão aí mais algumas...

Começamos com o álbum Friends do pianista Chick Corea. Se o disco tivesse vocais, tenho certeza que seriam da Smurfete...

Cadê a Smurfete?
Jerome Kern é um dos maiores compositores estadunidenses da primeira metade do século XX. Compos A Fine Romance, All The Things You Are, I´m Old Fashioned, Smoke Gets In Your Eyes, entre tantas canções maravilhosas. Todos nós amamos Jerome Kern... mas precisava uma capa assim?

Álbum I love Jerome Kern do pianista Kenny Drew
Cab Calloway é um dos figuraços do jazz na boa companhia de Professor Longhair,Thelonious Monk e Dizzy Giliespie (que aliás tocou na orquestra dele). Cantor, compositor, maestro, band líder ficou famoso pelo modo de cantar e pelas performances nos palcos. Se você tem idade para ter assistido o filme Cotton Club do Francis Ford Copolla, ele é representado no filme cantando Minnie, the Moocher. Pela capa da coletânea que segue abaixo, dá para perceber que o cara não era muito normal.

Pelo olhar Cab Calloway gostou da vizinha do andar de cima...

Seguem endereços de outros posts sobre capas de discos, com dose especialíssima de Chet Baker: